O Reverendo Bernardino Ovelar da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil continua o tema abordado do Evangelho do Jonas 2 fazendo um paralelo entre Jonas e a igreja nos dias atuais. Cumprindo assim o que fora escrito por Jesus em Lucas 11: 30 – “Assim como Jonas foi sinal para os Ninivitas, o Filho do Homem o será para esta geração.

Também em Lucas 11: 32 – “Ninivitas se levantarão no juízo com esta geração e a condenarão, porque se arrependeram com a pregação de Jonas, E eis aqui quem é maior que Jonas.

Quem era Jonas? Jonas foi um profeta Hebreu que viveu no século VIII antes de Cristo, o rei de Israel no seu tempo era Jeroboão II, nasceu em Gate-Hefer, uma aldeia de Zebulom localizada nas vizinhanças de Nazaré. Foi fundada pelo Imperador Babilônico Ninrode.

O grande peixe vomitou Jonas nas praias de Nínive na cidade dos fenícios em uma parte distante do mar Mediterrâneo para onde o profeta Jonas tentou fugir. Uma cidade em algum ponto próximo e acessível ao mar Vermelho para onde deviam navegar os navios construídos em Eziom-Geber junto ao golfo de Acaba, o maior estaleiro daquela época.

Interessante dizer que Jonas estava num navio construído no golfo de Acaba, e que não era um navio comum, era um navio de Tarsis, esses navios eram a maior expressão de luxúria de sua época, simbolizavam riqueza e poder. Jonas não era diferente de nós, ele era como somos em grande parte do nosso tempo. Ele não queria estar no propósito de Deus, ele queria estar no seu próprio propósito, nos navios de Tarsis, na suntuosidade, na riqueza, na ostentação, no foco dos holofotes, nas páginas sociais.

A igreja de hoje tem feito coisas boas, mas o fato de serem boas não as faz com que seus seguidores estejam no propósito de Deus. Mas prestem atenção, o mundo de hoje é um grande navio de Tarsis, e seus timoneiros têm procurado culpados de tantas tragédias que tem assolado o mundo. O momento é de reflexão e mudanças.

O caos é fruto do pecado, portanto nós, a igreja do Senhor Jesus, com sua prepotência, auto suficiência, religiosidade, exclusividade, inoperância, dormência, insensatez, somos talvez a grande culpada deste caos social que vivemos. O Evangelho de hoje é para se comparar algumas das atitudes de Jonas com nossas próprias atitudes.

Havia uma obra a ser feita em Nínive, era a de pregar arrependimento a um povo que necessitava refazer seus caminhos. Mas Jonas preferiu manter-se em seu egoísmo. Ele queria os Navios de Tarsis, ele queria ser contado entre os poderosos, os ricos. Mostrar que podia mais que os outros.

Ele não queria ter que sofrer pelo Ninivitas, tentando convencê-los de seus pecados. O que preferimos hoje? Será que é diferente do que Jonas preferia? Mas se agirmos insensatamente como Jonas, poderemos ser engolidos pelo grande peixe da enfermidade, do caos econômico, dos desvios morais, do desequilíbrio emocional, das aflições da alma, da falta de compreensão e da colaboração uns com os outros.

Você pode dizer que Jonas foi engolido por um peixe porque estava no mar e vomitado porque estava dentro do peixe. Por isso que o Reverendo Bernardino afirma que quem foge da sua missão cria problemas pessoais para si mesmo. Porém para seguir uma missão é preciso ser reconhecido como Jonas foi, e não ser deixado de lado pela vontade de homens como nós. O tempo tem sido nosso pior inimigo.

Quantos de nós estamos dormindo o sono da indiferença? O sono da incompreensão, numa vida espiritual mórbida, insípida, insossa. Vemos a nossa volta pessoas desesperadas, fruto do caos espiritual que o mundo está vivendo, ódio familiar, consumindo pais, filhos, irmãos. Fofocas maldosas denegrindo irmãos que se revestem da couraça de Deus.

Questões conjugais, fruto da falta de Deus no lar. Enfermidades multiplicadas pelo pecado. Uma sociedade desequilibrada emocionalmente pela falta de Deus. O valor da família se dissolvendo enquanto homens colocados por nós no poder público, discutem se foi certo ou não aprovar a lei que regulamenta a homofobia. Amigos revestidos com peles de ovelhas escondendo o lobo que na verdade são.

Todos desesperados a nossa volta, e nós? Fechados entre quatro paredes olhando para nós mesmos ou mais para o sucesso dos outros. Aí vocês poderiam dizer: Mas foi assim também com os discípulos no Getsêmani, Jesus sofrendo a angústia messiânica, e os discípulos com certa indiferença, só que eles acordaram, por isso estamos aqui, e nós vamos continuar dormindo ou também vamos acordar para a vida?

Jonas 1: 12 – Respondeu-lhes: Tomai-me e lançai-me ao mar, e o mar se aquietará, porque eu sei que, por minha causa, vos sobreveio esta grande tempestade. Quantos de nós já estivemos em tempestade? Em indiferença um com o outro? A referência de tempestade muda de acordo com o grau de suportabilidade que cada um tem com relação ao outro. Uma criança que perde seu brinquedo favorito, aquilo pode ser uma grande tempestade para ela. Um adolescente com uma paixão incubada e não correspondida, passa grandes tempestades. Um jovem que não passa num vestibular após tanto tempo de estudos, isso certamente é tempestade.

Quando já adultos, perdemos os pais, figuras de esteio de nossas vidas, e passamos a ser o novo referencial patriarcal da família, isso é uma tempestade. Um casal que tem uma grande briga por causa de terceiros, não deixa de ser uma intensa tempestade. Essas tempestades devem nos levar ao propósito de Deus, pois se não for este o resultado, elas deixarão marcas profundas em nossa alma. O propósito de Deus deve ser o centro de nossa vida, todo o resto deve gravitar ao redor dele.

JONAS OBEDECEU AO PROPÓSITO

Pensamos, então tudo foi lindo, viveram felizes para sempre. Não, Jonas era um marruco, um cabeça dura. Um teimoso. Ele disse pra Deus, eu vou, mas vou pregar contrariado… Deus disse: – Sim, mas pregue.

Eu vou demorar… – Mas pregue. Eu vou pregar baixinho… – Mas pregue. Eu vou pregar, mas não vou ficar no sol, eu quero uma sombrinha, uma aguinha fresca pra molhar os pés. – Mas pregue.

Nós dizemos: Vou à igreja, mas tem que acabar logo. – Mas vá. Só vou à igreja se insistirem comigo… Eu vou, mas se não tiver chovendo… Eu vou se for pertinho de casa pra não ter que andar muito. – Mas vá.

Deus teve misericórdia de Nínive, mas teve muito mais de Jonas. Deus tem tido misericórdia com Pouso Alegre, Andradas, Caldas e cidades adjacentes, mas tem tido muito mais conosco, principalmente. Nossa palavra de fé é que Deus nos mude o coração, e que nos tornemos mais maleáveis, mais humildes, mais úteis a Deus. Lembrando quem foge da sua missão cria problemas pessoais para si mesmo. Estejamos mais atentos e mais comprometidos com as coisas de Deus. Principalmente no que se refere ao amor ao próximo. Sejamos obedientes e mais prestativos, menos indiferentes, afinal quem semeia vento… As vezes é preciso ser teimoso, mas caminhar na busca da compreensão buscando pescadores de homens, o tempo de hoje requer pressa e compromisso com a verdade.

Direção e Redação: Neilo Machado – Produção e Imagens: Anderson Campos – Gravado nos estúdios da TV jornal da cidade

 

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