“Existe um caminho de volta da fantasia para a realidade, e esse caminho é a arte”.

Dr. Sigmund Freud – Criador da Psicanálise

As criações, obras de arte, são imaginárias satisfações de desejos inconscientes, do mesmo modo que os sonhos, e, tanto como eles, são, no fundo, compromissos, dado que se veem forçadas a evitar um conflito aberto com as forças de repressão. Todavia, diferem dos conteúdos narcisistas, associais, dos sonhos, na medida em que são destinadas a despertar o interesse noutras pessoas e são capazes de evocar e satisfazer os mesmos desejos que nelas se encontram inconscientes. À parte isto, fazem uso do prazer perceptivo da beleza formal, aquilo a que chamei um prémio-estímulo. Aquilo que a psicanálise foi capaz de fazer consistiu em captar as relações entre as impressões da vida do artista, as suas experiências causais e as suas obras e, a partir delas, reconstruir a sua constituição e os impulsos que se movem dentro dele. Não se deve julgar que o salaz que procura uma obra de arte se anule pelo conhecimento obtido pela análise. A este respeito é possível que o profano espere acaso demasiado da análise, mas deve advertir-se que ela não esclarece os dois problemas que são, provavelmente, os mais interessantes para ele: não esclarece quanto à natureza dos dotes do artista, nem pode explicar os meios de que o artista se serve para trabalhar a técnica artística, (Sigmund Freud, in ‘O Pensamento Vivo de Freud’).

“Freud foi o primeiro a se interessar em tecer articulações entre psicanálise e arte, se arriscando nesta ousada empreitada. Servindo-se da arte como aliada, dela se valeu de diferentes modos ao longo de suas construções teóricas. Este caminho, por vezes tortuoso, foi abraçado por outros analistas que, seguindo seus passos, produziram avanços e também desvios significativos na orientação originalmente impressa para a clínica psicanalítica. Os extravios advindos das pesquisas psicanalíticas em torno da arte e da criação provocaram distorções que desembocaram não apenas na redução da dimensão subversiva da psicanálise em favor da confecção de uma psicologia da obra e do artista – as ditas psicobiografias – mas, sobretudo, desvios importantes na direção própria à sua práxis”, escreve Gisele Falbo Kosovski, da Universidade Federal Fluminense, Setor de Clínica. Professora do PPGP/UFF Niterói/RJ.

São basicamente dois os estudos de Freud que abordam as artes plásticas – Leonardo da Vinci e uma lembrança de sua infância (1910) e Moisés de Michelangelo (1913). Se, no primeiro, Freud já tentava operar a partir do cruzamento entre dois pontos de vista, o endopoiético e o exopoiético – isto é, o que considera os constituintes internos à obra e o que considera os fatores provenientes do contexto que a sustenta –, na leitura do Moisés, a primeira perspectiva fica mais clara, aprofundando o campo compreendido pelas estruturas subjetivas do artista que não se confundem com os dados biográficos do criador. As estruturas subjetivas não são da ordem dos acontecimentos, mas resultam da transformação das relações entre exterior e interior. Nesse sentido, o crítico que toma o partido das estruturas subjetivas não pode excluir de sua pesquisa sua própria estrutura subjetiva (André Green). E, devido à implicação do sujeito no objeto, a interpretação será sempre arriscada, pois o intérprete está livre de um lado exatamente porque está ligado ao outro, podendo acontecer que as descobertas afetem sua relação com seu próprio inconsciente. E talvez seja este o tributo a ser pago por esta transgressão epistemológica mediada por um outro – o universo oculto do artista implicado na obra. “a Psicanálise, talvez à revelia de seu inventor, entra dignamente no campo da crítica contemporânea, oferecendo às obras um modo de pensar que, como a arte, busca transcender a familiaridade das formas culturais”, afirma João A. Frayze-Pereira que é professor, livre docente do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo (USP). Psicanalista do Instituto de Psicanálise da Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo. Membro da Association Internationale des Critiques d’Art (AICA).

Abissalidade poética

A incomensurabilidade da psicanálise é a sua simbiose ao belo, da arte, da sapiência filosófica, teológica, poética, do portfólio mitológico, da abissal elegância de lidar com o esplêndido da alma, da etiologia do inconsciente numa abordagem salutar idiossincrática do indivíduo. A arte está presente de forma importante no desenvolvimento da psicanálise desde Freud até hoje, na maioria dos autores.

Arte e Psicanálise

A arte une a beleza, o amor e o ser humano numa mágica sinfonia. A psicanálise une a arte do verbo, os mistérios da alma e o afeto num encanto de harmonia.

A arte é uma das melhores maneiras do ser humano expressar seus sentimentos e emoções. A psicanálise é arte da escuta onde a interioridade verbaliza do coração e da razão.

A arte é inerente ao ser humano a partir de um senso estético de infinita criatividade e afetividade, assim também é a psicanálise auxilia numa infinidade de felicidade e amabilidade.

A arte contém enigmas imanente e transcendente que transporta para nossa realidade de forma encantadora, a psicanálise transfere os traumas do inconsciente para desintegração via a terapia libertadora.

Dr. Inácio José do Vale
Psicanalista Clínico, PhD
Professor e Conferencista
Atende na Comunidade de Ação Pastoral – CAP
Bairro São Cristóvão – 
Pouso Alegre – MG
Membro da Sociedade Brasileira de Psicanálise Contemporânea e Membro da Ordem Nacional dos Psicanalistas/RJ – Apresentador do Programa Psicanálise Clínica pela TVJC

Direção: Neilo Machado – Produção e Imagens: Anderson Campos

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