Licantropia

Licantropia clínica é uma rara síndrome psiquiátrica na qual a pessoa afetada sofre a ilusão de poder se transformar, ou de fato ter se transformado, em um animal, ou que tal pessoa é, de alguma forma, um animal. A palavra é derivada da condição mitológica da Licantropia, uma aflição sobrenatural na qual as pessoas se transformam fisicamente em lobisomens. A palavra zooantropia é algumas vezes usada para a ilusão de que uma pessoa se transformou em um animal qualquer, e não especificamente em um lobo.

No campo da Medicina

Em alguns transtornos psiquiátricos os indivíduos são convencidos a transformar-se em algum animal. Esta metamorfose é irreal, mas o paciente acredita firmemente nisso. Em termos psiquiátricos, a licantropia não se refere exclusivamente ao lobisomem, mas pode tratar-se de outro tipo de espécie animal como o cachorro ou o leão. Consequentemente, do ponto de vista estritamente médico a licantropia tem uma explicação clínica, pois se trata de uma síndrome descrita na literatura médica e que é considerada uma ilusão psicopatológica, na qual o indivíduo tem uma percepção de si mesmo distorcida. Este delírio é conhecido como teriantropia e se refere à crença na transformação em qualquer animal. Se o indivíduo está convencido que é um lobo, trata-se de uma licantropia.

Indivíduos afetados relatam a crença ilusória de que se transformaram, ou que estão no processo de se transformar em outro animal. Já foi relacionada com as alterações de estado da mente que acompanham a psicose (o estado mental distorcedor da realidade que, tipicamente, envolve ilusões e alucinações), sendo que a transformação aparentemente só ocorre na mente e comportamento da pessoa afligida.

Sintomas

Um estudo em licantropia do Hospital  McLean em psiquiátria  em Belmont, Massachusetts, nos Estados Unidos, relatou uma série de casos e propôs alguns critérios diagnósticos através dos quais a licantropia poderia ser reconhecida:

  • Em um momento de lucidez, ou em retrospectiva, um paciente relata que algumas vezes se sente ou se sentiu como um animal.
  • Um paciente se comporta de uma maneira que se assemelha ao comportamento de um animal, por exemplo, gritando, rosnando ou rastejando.

De acordo com esses critérios, ou a crença ilusória na transformação atual ou passada, ou o comportamento que sugere que a pessoa se crê transformada, é considerado evidência de licantropia clínica. Os autores destacam que, embora a condição aparentemente seja uma expressão de psicose, não há um diagnóstico específico de doença mental ou neurológica associada às consequências comportamentais.

Parece também que a licantropia não é específica para a experiência da transformação homem-lobo. Uma grande variedade de criaturas foi descrita como parte da experiência de transformação. Uma revisão da literatura médica do início de 2004 relaciona mais de trinta casos publicados de licantropia, sendo que apenas a minoria deles tem lobos ou cães por tema. Canídeos logicamente não são incomuns, embora a experiência de transformação em gatos, cavalos, pássaros e tigres tenha sido relatada em mais de uma ocasião, e até transformações em sapos e abelhas foram descritas em alguns casos. Um estudo de caso datado de 1989 descreveu como um indivíduo relatou uma transformação em série, experimentando uma mudança de humano para cão, cavalo, e então, finalmente, gato, antes de retornar à realidade da existência humana depois do tratamento. Há ainda casos de pessoas que experimentaram transformação em um animal descrito apenas como “inespecífico”.

Fatores neurológicos

Um fator importante podem ser as diferenças ou alterações nas partes do cérebro reconhecidamente envolvidas na representação da forma corporal (propriocepção, imagem corporal). Um estudo de neuroimagem de duas pessoas diagnosticadas com licantropia clínica mostrou que essas áreas do cérebro apresentavam ativação incomum, sugerindo que, quando as pessoas mencionavam que o seu corpo estava mudando de forma, elas podiam estar percebendo genuinamente tais sensações. Distorções da imagem corporal não são incomuns em episódios de doenças mentais ou neurológicas, portanto isso pode ajudar a explicar o processo, ao menos parcialmente. Uma questão intrigante é o porquê uma pessoa afligida não relatar simplesmente que o seu corpo “parece estar mudando de formas estranhas”, ao invés de apresentar a ilusão de que estão se transformando em um animal especifico. Há muitas evidências de que a psicose é mais do que apenas experiências perceptivas estranhas, portanto talvez a licantropia seja o resultado dessas experiências corporais inusitadas sendo compreendidas por uma mente já confusa, provavelmente filtradas através da lente de tradições culturais e ideias.

Um caso na Bíblia Sagrada

Há um caso de licantropia na Bíblia Sagrada em Daniel, capítulo 4, versículos: 25 a 34, onde narra a história do rei da Babilônia, Nabucodonosor, que após sua exaltação onde disse que construiu a Babilônia para fazer dela sua mansão real e para servir à gloria de sua majestade, escutou uma voz que lhe disse “Isto é a ti, ó rei Nabucodonosor, se intima: O teu reino passará de ti a outro possuidor, e lançar-te-ão da companhia dos homens e a tua habitação será com as alimárias e feras: comerás feno como o boi, e sete tempos passarão por cima de ti, até que reconheças que o Excelso tem um poder absoluto sobre os remos dos homens, e que os dá a quem lhe apraz.” Assim, viveu como um animal durante sete anos, findo o período, ele retomou a forma humana, seu reino e o juízo, e reconheceu que o Altíssimo domina sobre a realeza glorificando a Deus e a Sua Justiça e reconheceu que diante Dele nenhum habitante da terra tem importância.

Para meditar e acertar no relacionamento

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Dr. Inácio José do Vale
Psicanalista Clínico, PhD – Professor e Conferencista – Atende na Comunidade de Ação Pastoral – CAP – Bairro São Cristóvão – 
Pouso Alegre – MG – Membro da Sociedade Brasileira de Psicanálise Contemporânea e Membro da Ordem Nacional dos Psicanalistas/RJ – Apresentador do Programa Psicanálise Clínica pela TVJC

Direção: Neilo Machado – Produção e Imagens: Anderson Campos

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