Um estudo pelas renomadas universidades de Stanford e Nova York, considerado um dos mais exaustivos realizados até agora nas redes sociais, mostrou que deixar o Facebook melhora a saúde mental, sociabilidade e disposição das pessoas.

O estudo avaliou mais de 2.800 pessoas recrutadas precisamente por meio de anúncios na rede social. Metade foi convidada a desativar suas contas do Facebook por quatro semanas, enquanto a outra metade serviu como um grupo de controle. Os participantes foram submetidos a vários testes sobre a atualidade e descreveram suas rotinas diárias e seu humor durante todo o experimento.

Os responsáveis ​​pelo estudo monitoraram suas contas para garantir que aqueles que foram escolhidos para deixar a rede social permanecessem inativos.

As conclusões do estudo são nítidas. Aqueles que pararam de usar o Facebook relataram passar mais tempo socializando com amigos e familiares e fazendo atividades não relacionadas à Internet, como assistir TV. O tempo gasto em outras redes sociais diferentes também diminuiu. “A desconexão causou pequenas mas importantes melhorias no sentimento de felicidade e satisfação e reduziu os níveis de ansiedade e depressão”, dizem os responsáveis ​​pelo estudo.

Após as semanas de desconexão, os usuários voltaram a usar a rede social, mas reduziram o tempo gasto diariamente nela, indicando que até mesmo uma desconexão temporária pode ter efeitos positivos nos hábitos das pessoas. O tempo gasto diariamente no Facebook foi reduzido em 23% em comparação ao grupo controle, cerca de 12 minutos.

O outro efeito da desconexão é que os participantes reduziram seus conhecimentos atuais e novidades em relação ao grupo de controle. Isso ressalta a importância da rede como fonte de informação para a maioria dos usuários, mas os responsáveis ​​pelo estudo também apontam que a desconexão reduziu a polarização de suas ideias políticas. “É possível que uma desconexão de duração diferente tenha efeitos diferentes, por exemplo, em uma desconexão mais longa, o conhecimento atual pode aumentar à medida que as pessoas encontrarem novas fontes de informação”, esclarecem os pesquisadores.

Marta Peirano, jornalista é a autora do O inimigo conhece o sistema, “um livro para você entender por que as empresas tecnológicas que geram dependência são as mesmas que espionam e manipulam você”. “Aplicativos viciantes são conscientemente gerados. Não é que nós humanos gostemos de perder tempo ou procrastinar. São aplicativos que foram projetados pelos melhores e mais valiosos especialistas com o único propósito de mantê-lo preso à tela o maior tempo possível”, diz Marta Peirano.

As novas tecnologias, assim como novos desafios e formas de comunicação, também nos trouxeram novas dependências (neste caso, o vício em celular) ou medos irracionais (perdê-lo ou sair sem ele) é aqui que entra a Nomofobia.

Nomofobia é uma relativamente nova doença que pode ser definida como o medo de ficar sem celular, até mesmo pânico, caracterizando uma fobia de ficar sem celular. E não é um transtorno para ignorar, porque pode ter consequências para a saúde. Os sintomas da Nomofobia são: “Medo, ansiedade, estresse, depressão e ataques de pânico ao pensar em sair sem celular. Os sintomas podem levar a outros efeitos colaterais, como tremores, sudorese, tontura, dificuldade em respirar, náuseas, dor no peito, aceleração da frequência cardíaca. São sintomas de dependência”. Essa dependência é um vício pelos aparelhos eletrônicos que conduz comportamentos agressivos e tende agregar outros vícios.

Quem sofre dessa dependência deve procurar ajuda de profissionais em saúde mental. Pela terapia terá mecanismos de defesas contra essa patologia que será o mal avassalador do futuro não distante.

Dr. Inácio José do Vale
Psicanalista Clínico, PhD – Professor e Conferencista – Atende na Comunidade de Ação Pastoral – CAP – Bairro São Cristóvão – Pouso Alegre – MG – Membro da Sociedade Brasileira de Psicanálise Contemporânea e Membro da Ordem Nacional dos Psicanalistas/RJ – Apresentador do Programa Psicanálise Clínica pela TVJC

Direção: Neilo Machado – Produção e Imagens: Anderson Campos

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