“O modo de pensar psicanalítico”, disse o criador da psicanálise, o neurologista austríaco Dr. Sigmund Freud, “age como um novo instrumento de pesquisa.

A psicanálise está presente em todo contexto cultural. A elegância da psicanalise tem seu espaço central na humanidade, sua presença no teatro, cinema, televisão, música, literatura, arte, poesia e mídia.

A clínica psicanalítica é a arte de interpretar o inconsciente do paciente e proporcionando novas configurações. A sensibilidade do psicanalista progride para novas abordagem, ou seja, novos significados. A penetrabilidade no interior comunga na simbiose da verbalização, sonho e a externalidade comportamental. No contexto, social, político, econômico e religioso.

Escreve Elisabeth Roudinesco, historiadora da psicanálise e psicanalista francesa, e professora na École Pratique des Hautes Études em Paris: “A morte, as paixões, a sexualidade, a loucura, o inconsciente e a relação com o outro moldam a subjetividade de cada um, e nenhuma ciência digna desse nome jamais conseguirá pôr termo a isso, felizmente. A psicanálise atesta um avanço da civilização sobre a barbárie. Ela restaura a ideia de que o homem é livre por sua fala e de que seu destino não se restringe a seu ser biológico”. “O sofrimento psíquico manifesta-se atualmente sob a forma da depressão. Atingido no corpo e na alma por essa estranha síndrome em que se misturam a tristeza e a apatia, a busca da identidade e o culto de si mesmo, o homem deprimido não acredita mais na validade de nenhuma terapia. No entanto, antes de rejeitar todos os tratamentos, ele busca desesperadamente vencer o vazio de seu desejo. Por isso, passa da psicanálise para a psicofarmacologia e da psicoterapia para a homeopatia, sem se dar tempo de refletir sobre a origem de sua infelicidade. Aliás, ele já não tem tempo para nada, à medida que se alongam o tempo de vida e o do lazer, o tempo do desemprego e o tempo do tédio. O indivíduo depressivo sofre ainda mais com as liberdades conquistadas por já não saber como utilizá-las”.

Sigmund Freud, em 1929, ao encerrar seu livro O mal-estar na cultura, nos adverte com esta frase premonitória: “Os homens de hoje levaram tão longe o domínio das forças da natureza que, com a ajuda delas, tornou-se lhes fácil exterminar uns aos outros, até o último. Eles o sabem muito bem, e é isso que explica boa parte de sua atual agitação, de sua infelicidade e de sua angústia”. Nossa civilização tem experimentado a vivência de laços sociais fragmentados nas novas formas de retirantes espremidos por mudanças de fronteiras produzidas por guerras, catástrofes, terrorismo e tiranias.

Os loucos sofriam a tirania no hospício, hoje o hospício é o quarto controlado pelas drogas das redes sociais. Também nos manicômios de comunidades religiosas sendo drogados pelo medo, pela manipulação de recompensas e pela fuga da realidade, com isso pretendem suprir a carência afetiva, a depressão e patologias.

“O drogado é hoje a figura simbólica empregada para definir as feições do anti-sujeito. Antigamente, era o louco que ocupava esse lugar. Se a depressão é a história de um sujeito inencontrável, a drogadição é a nostalgia de um sujeito perdido”, afirma Alain Ehrenberg, sociólogo francês, diretor de pesquisa do CNRS e diretor do Cesames (Centro de Pesquisa de Psicotrópicos, Saúde Mental e Sociedade) /CNRS-Université Paris 5.

Para o psicanalista francês Jacques Lacan, a própria psicanálise é um método de leitura de textos, orais (a fala do paciente) ou escritos. O pensar psicanalítico adentra abissalmente nas obras de Freud, dos que vieram depois, nos renomados pensadores, na arte, no mito, nas pesquisas, simpósio cientifico e na escuta dos analisados.

O pensar psicanalítico é sapiensalizar a etiologia dos traumas, recalques e frustrações, conhecer a patogenia da patologia e pela terapia viabilizar o bem-estar físico e emocional.

Dr. Inácio José do Vale
Psicanalista Clínico, PhD
Professor e Conferencista
Atende na Comunidade de Ação Pastoral – CAP
Bairro São Cristóvão – 
Pouso Alegre – MG
Membro da Sociedade Brasileira de Psicanálise Contemporânea e Membro da Ordem Nacional dos Psicanalistas/RJ – Apresentador do Programa Psicanálise Clínica pela TVJC

Direção: Neilo Machado – Produção e Imagens: Anderson Campos

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