Tudo isso armazenado no inconsciente conduz ações inconsequentes. Tendo o indivíduo um histórico de várias formas agressivas e não passando pelo tratamento, sua vida terá muitas incompatibilidades. A vivência num ambiente conflituoso, convivendo com gente de forma perniciosa e absorvendo tudo isso, terá o resultado como tal. Praxes cognitivas revelam o inconsciente do indivíduo. No que há de mais obscuro na mente humana há de ser materializado. O fator vulcânico dos traumas tem suas lavas e seus encaminhamentos por várias modalidades comportamentais. De uma carência afetiva a destruição de si e do outro.

O fator inconsequente está presente em vários graus e em muitas dimensões das nossas vidas: afeta o planeta que habitamos, as construções sociais em que nos movimentamos, as relações que estabelecemos, fundamentalismos ideológicos e as doenças físicas e emocionais.

O fundamentalismo emocional é o resultado do radicalismo psicológico misoneísta. A emoção arraigada nos extremos determina o fanatismo e a escravidão psíquica do indivíduo.

Segundo o neurologista austríaco Dr. Sigmund Freud, o criador da psicanálise, o inconsciente era apenas pessoal, mantendo sua individualidade psíquica, onde cada ser humano detém seus próprios conteúdos reprimidos, geralmente marcadas na infância, abalando o equilíbrio da consciência (Marie-Louise, 1992).

Para o psiquiatra e psicanalista suíço Dr. Carl Justav Jung o inconsciente é caracterizado em duas camadas. O primeiro é o inconsciente pessoal, onde é mantida a toda a experiência pessoal de cada pessoa. Podendo essas se tornarem reprimidas, esquecidas ou ignoradas. Ou também há casos de experiências muito fracas demais para chegarem a consciência. A outra camada é o inconsciente coletivo, sendo uma área mais profunda da psique. Ela é remontada na infância através de restos das vidas dos antepassados. Nele está contido os instintos juntamente com as imagens primordiais denominados arquétipos, herdados da humanidade (Jung, 1998).

A discrição do inconsciente individual segundo o psicanalista francês Jean Laplanche:

“O inconsciente é individual; para ser escandaloso, eu diria que ele está na cabeça de cada indivíduo. O inconsciente é essa parte de sua história subtraída não só […] ao tecido das significações convencionais, mas subtraída também a toda intenção de comunicação […]. Somente a metodologia inventada por Freud – e não uma metodologia pretensamente orientada para o significante -, que alia indissoluvelmente livres associações e situação analítica, permite reabrir parcialmente, de um modo precário, de um modo sempre rediscutido, um inconsciente sempre prestes e pronto a se fechar de novo à comunicação, pois que esse fechamento é inerente à própria essência de sua constituição.” (LAPLANCHE, 1981/1992, p.115).

O ser humano é valioso o quanto valor carrega seu inconsciente. Seus ótimos procedimentos são extraídos do inconsciente excelente. Nós correspondemos resultados já existentes na mente do inconsciente. A nossa vida é bela o que tem no inconsciente. As nossas motivações valorosas profundas inspira fecundidades maravilhosas, criatividades geniais e intuições colossais.  Todo espaço tomado pela abissalidade de nobres sentimentos nos livra de traumas, chagas na alma, cruéis enfermidades, patologias monstruosas, armadilhas maléficas e relacionamentos doentios.

O legado do inconsciente que foi moldado no histórico do bem, da afetividade, de plena educação e do amor, será o apego a arte, a poesia, a ciência, as leis, a comunhão familiar, social e a cultura em geral. O ambiente configurado numa educação sadia, elegante e de inteligência emocional favorece fundamento para o indivíduo ser bem-sucedido em toda dimensão humana.

Dr. Inácio José do Vale
Psicanalista Clínico, PhD
Professor e Conferencista
Atende na Comunidade de Ação Pastoral – CAP
Bairro São Cristóvão – 
Pouso Alegre – MG
Membro da Sociedade Brasileira de Psicanálise Contemporânea e Membro da Ordem Nacional dos Psicanalistas/RJ – Apresentador do Programa Psicanálise Clínica pela TVJC

Direção: Neilo Machado – Produção e Imagens: Anderson Campos

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