A frase dita por Isabela Tibcherani, em entrevista a Reinaldo Gottino no Balanço Geral é reveladora e surpreendente, um caso de amor que terminou em tragédia, as vésperas do dia dos namorados.

“Com meus 18 anos de vida, eu não vivi muito, mas… ao mesmo tempo, eu vivi bastante. Muita coisa ruim já aconteceu na minha vida.”

A jovem, cujo pai matou a tiros seu namorado, o ator Rafael Henrique Miguel, e os pais dele, não entrou em detalhes de quais sofrimentos seriam esses narrados na frase acima, mas uma coisa é certa: ela era vítima de um relacionamento abusivo protagonizado pelo genitor, Paulo Curpertino.

Assim como ocorre nos relacionamentos amorosos, o ciúme doentio e o comportamento possessivo do pai, ao quais ela contou que era submetida, juntamente com a mãe, é tipico de abusadores, agressores e assassinos de mulheres. A esposa, eles espancam. As filhas, eles oprimem.

“Não era só comigo, mas com minha mãe também. Ele é misógino, agressor, odeia mulheres”, admitiu Isabela.

Não dá para saber a que tipo de comportamento ela sobreviveu, mas a reação deste homem diante do namorado da filha, e da família dele, não deixa dúvidas de que ele exercia o controle com base na violência e na grave ameaça. Rafael, conforme revelou Isabela em suas redes sociais, teria ido à sua casa para pedi-la em casamento. O pai sequer aceitava o namoro. Criou a filha para ele, não para o mundo. dividi-la com alguém seria insuportável. Um psicopata ou um monstro possessivo?

O rapaz e os pais estavam no portão quando Cupertino chegou, mandou a filha entrar em casa, e atirou sem mais nem menos para matar.

“Juro que o máximo que achei que fosse possível ele fazer seria agredir, sair no braço, mas ele não deu nem chance, ele já tinha planejado isso, tenho certeza”, afirmou Isabela.

A estrutura de uma relação abusiva que se instaura entre pais e filhas é semelhante ao roteiro de terror vivido em uma relação amorosa, com o agravante de que o poder sobre a vítima é exercido desde a infância e pode se agravar na adolescência. Impedir a filha de sair, de usar determinadas roupas, de se relacionar com quem quer que seja é a forma de revestir o ciúme desmedido como cuidados paternos, camuflando como amor o que não passa de abuso psicológico. “Ele nunca aprovou minha felicidade”, resumiu Isabela.

A mãe, possivelmente outra vítima do massacre físico e mental cometido por este homem, não está do lado da filha. Como tantas mulheres submetidas a essa engrenagem, elas não enxergam e não admitem para si mesmas que o homem que amam pode ser um agressor. Se sentem culpadas pela violência que sofrem. E têm medo. Não há como saber se é o caso desta mãe, que abandonou a filha à própria sorte, mas talvez isso explique seu silêncio diante de uma tragédia tão avassaladora.

Da mesma forma que o ciúme doentio não é normal em uma relação homem e mulher, também não tem justificativa entre pai e filha. É apenas resultado do tal machismo estrutural, que faz os homens acreditarem e agirem como donos de suas mulheres. O sentimento de posse quando desafiado sempre tem um desfecho trágico.

Um sonho que se tornou pesadelo

Cupertino era contra o namoro da filha, Isabela Tibcherani, com o ator de “Chiquititas”. A finalidade da visita do jovem de 22 anos e sua família seria conversar sobre o relacionamento. Cupertino, no entanto, não deu chance para o diálogo, pois teria atirado nas três vítimas ainda no portão de sua casa. Sem dar oportunidade de defesa, sem dialogar.

Registrado como homicídio consumado, o caso é investigado pelo 98º Distrito Policial (Jardim Miriam). Os corpos foram liberados pelo Instituto Médico Legal (IML) em São Paulo e o velório surpreendeu pela quantidade de gente que compareceu, nem tanto pela curiosidade, mas fãs do jovem que teve a vida ceifada por amar uma moça com quem se apaixonou e fazia planos de futuro. Levar os pais com ele, era demonstrar suas boas intenções, quem sabe conversando com seus pais, o acordo e a permissão viria dentro dos conformes da qual julgou que fosse necessário.

A jovem Isabela Tibcherani usou as redes sociais para expressar a dor pela perda do namorado, o ator Rafael Miguel. Ele foi assassinado barbaramente na tarde de domingo, junto com os pais, no bairro Pedreira, zona sul de São Paulo pelo seu pai, Paulo Cupertino Mathias, que está foragido. Uma coisa sem explicação, um crime cometido sem justificativa, apenas por ciumes da filha, uma história de amor interrompida, sem ter um final feliz.

“Só queríamos ser livres pra amar, sem medida. Queríamos explorar o mundo e explorar a vida. Crescer, lado a lado, como um só”, disse a jovem na segunda-feira, 10/6 em uma rede social.

No Instagram, amigos do ator também prestaram suas homenagens e compareceram em massa no velório. A atriz e colega de elenco em Chiquititas, Carla Fioroni, gravou um vídeo onde diz que “a juventude precisa ser vivida”. Ela pediu justiça e o fim da violência. Filipe Cavalcante, que também atuou com Rafael na novela do SBT, postou uma foto com o colega e disse “vai em paz meu irmão, vai fazer muita falta aqui”.

Paulo Cupertino Mathias

Segundo a assessoria de Segurança Pública de São Paulo, Rafael Miguel e os pais dele foram até a casa de Isabela para conversarem sobre o namoro e fazerem um pedido formal e oficial de casamento. Eles foram surpreendidos pelo pai da garota ainda na porta da casa. Ele chegou armado e atirou contra os três, que morreram na hora. Paulo Cupertino Mathias não deu tempo nem de iniciarem a conversação, segundo a filha.

Rafael Miguel ficou conhecido por estrelar um comercial em que pedia brócolis para mãe em um mercado. Mais tarde, interpretou Paçoca na novela Chiquititas, do SBT e fez participações nas tramas da Globo, Pé na Jaca e Cama de Gato.

“Eu acredito que o Rafael tentou proteger a mãe dele, entrou na frente. Um anjo. Ele me falava que ia me proteger, que ia me salvar, que ia me tirar daquela casa. Ele me falou uma vez: ‘Eu tomaria um tiro por você’“, disse.

A garota falou também sobre a depressão de Miguel. “Ele estava se tratando, eu ajudei muito ele, inclusive. Eu motivei ele a continuar fazendo terapia. Ele tinha muitos hobbies. Gostava de ler, gostava de jogar, fazia várias coisas. Trabalhava muito, de segunda a sábado, até tarde.”

A menina também falou sobre a noite anterior, “a primeira chance de ficar juntos depois de muitos meses”. “Ele estava pleno, feliz. Passamos a noite juntos, disse que foi o dia mais feliz da vida deles“, afirmou.

Isabela Tibcherani, também lamentou a morte do companheiro e pediu respeito pelo momento de luto, dizendo que sofreu muito, porque o pai era possessivo e ciumento demais com ela e sua mãe. O casal namorava há um ano e dois meses. “A gente não esperava isso, só queríamos ser feliz!

Em uma publicação no Facebook, a jovem de 18 anos compartilhou imagens do último encontro que teve com o namorado: “E a gente se reencontrou, depois de meses, apenas sonhando com esse momento, contando os segundos, os dias. E aconteceu. O melhor dia das nossas vidas, de longe. Dá pra ver pelo nosso olhar, nesse momento éramos só você e eu, em meio a todas aquelas pessoas, não tinha mais nada além de nós dois”.

Em outro trecho do texto, Isabela relata o sofrimento que está vivendo, mas promete se lembrar do namorado para sempre: “Tá muito difícil de assimilar mas eu quero pensar em você como o homem iluminado que é, o homem que me orgulha, que me fez a mulher mais feliz do mundo. Lutamos juntos, até o final. Mas não é o fim, meu príncipe, jamais será. Eu vou honrar nossa história, vou realizar nossos sonhos, todos que eu puder! Eu jamais amei alguém como amo você. E jamais amarei outro”, disse.

Na madrugada de segunda-feira, 10 de junho, a jovem publicou mais mensagens em seu perfil na rede social. “Só queríamos ser livres pra amar, sem medida”, escreveu em uma nova postagem. Em outra, pede respeito pelo momento de luto: “Peço, encarecidamente, que respeitem esse momento. Antes dele ser uma figura pública, ele era um ser humano. O ser humano mais maravilhoso que existiu. Atacar a mim e aos restantes familiares e amigos não vai trazer ninguém de volta. Tenham compaixão”.

O crime

Rafael Henrique Miguel tinha 22 anos e foi morto com os pais no portão da casa da namorada no domingo, 9 de junho, no bairro da Pedreira, zona sul de São Paulo. O ator, o pai, João Alcisio Miguel, de 52 anos, e a mãe, Miriam Selma Miguel, de 50, foram recebidos pela garota e a mãe dela. De acordo com informações da Secretaria de Segurança Pública, seria uma tentativa de conversa para oficializar o namoro, o pai da menina, o comerciante Paulo Curpertino Matias, de 48 anos, chegou ao local armado, mandou a filha entrar e em seguida, disparou contra as três vítimas e fugiu.

Uma história de amor sem final feliz. Motivos a ignorância de um pai, violento, com várias passagens na polícia. Que agredia filha e mãe e não lhe deu o direito de escolha, muito mais em tentar ser feliz ao lado de uma pessoa que já amava e era amada, Que por ter boas intenções, fez questão de levar os pais, para juntos numa boa, oficializar o namoro e quem sabe chegar definitivamente ao casamento. Sonho que não se tornou realidade.

Direto da Redação com informações colhidas na internet

 

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